Como comprar cripto no Brasil pelo caminho regulado: Pix, BC e B3
O prazo de 30 de outubro passou e o mercado se dividiu entre quem pediu autorização e quem saiu. Veja como ficar do lado regulado.
MAN TARGET Editors31 de outubro de 2026 4 min de leitura
O Brasil agora tem um conjunto completo de regras para cripto, e outubro de 2026 foi o mês em que elas começaram a valer de verdade. As Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, em vigor desde 2 de fevereiro de 2026, exigem autorização para prestadoras de serviços de ativos virtuais. Quem já operava tinha até 30 de outubro para protocolar a primeira fase do pedido. Para quem compra, a pergunta prática é simples: quais canais estão do lado regulado dessa linha?
O que o prazo mudou
- Quem protocolou no prazo pode continuar operando enquanto o Banco Central analisa. Pela Resolução 548, essa análise pode levar até três anos.
- Quem não pediu precisa encerrar as atividades e orientar os clientes sobre saques; o limite noticiado é 29 de novembro de 2026.
- Pela Resolução 589, a partir de 6 de novembro de 2026 instituições reguladas não podem realizar nem facilitar operações com prestadoras sem autorização para atuar no Brasil, salvo exceções previstas.
- A autocustódia continua permitida, desde que o dono da carteira possa ser identificado quando os ativos entram ou saem de uma prestadora regulada.
O protocolo compra tempo, não um selo de aprovação. Leia a situação cadastral, não o logotipo.
Quem pediu e quem saiu
No fim de outubro, Binance, OKX, Bybit e Mercado Bitcoin tinham confirmado publicamente o protocolo; a OKX pediu em 16 de outubro e o Mercado Bitcoin em 27 de outubro, como corretora de ativos virtuais, cobrindo intermediação e custódia. A Coinbase disse que faria o pedido na última semana. Em 26 de outubro, a contagem do BP Money de empresas que pediram licença chegou a 22 nomes. Outras preferiram sair: a Bitso encerrou o varejo direto até 30 de outubro e transferiu clientes para o Mercado Bitcoin; NovaDAX, Coinext, Digitra e Bitnuvem anunciaram saída; a Crypto.com fechou os serviços da conta em reais. Até o fim de outubro, nenhuma plataforma havia sido noticiada como plenamente autorizada no novo regime.
Três caminhos regulados
- Uma plataforma em processo de autorização, com depósito via Pix de conta em seu próprio nome. Consulte as listas públicas do Banco Central, guarde o registro de cada depósito e teste um saque antes.
- Um ETF de cripto na B3, comprado por qualquer corretora. O HASH11, da Hashdex, foi o primeiro, em 2021; entre os de bitcoin estão QBTC11 e BITH11, e entre os de ether, QETH11 e ETHE11. Você tem cotas do fundo, não chaves, e paga taxa de administração anual.
- Autocustódia, depois de comprar numa plataforma regulada, para reservas de longo prazo que você esteja disposto a proteger sozinho.
- Se usar corretora estrangeira, lembre que desde 1º de julho de 2026 pessoas físicas devem informar a Receita Federal quando as operações mensais passarem de R$ 35 mil.
Aviso de risco: este texto é informação geral, não recomendação de investimento, jurídica ou tributária, nem indicação de plataforma ou fundo. A situação regulatória pode mudar rápido; confirme no Banco Central antes de depositar. Criptoativos e ETFs de cripto são muito voláteis, podem perder a maior parte do valor e não têm cobertura do FGC. Converse com um assessor autorizado ou contador sobre o seu caso.
Principais pontos
- Plataformas que já operavam tinham até 30 de outubro de 2026 para pedir autorização ao Banco Central.
- O pedido permite continuar operando durante a análise; não é autorização.
- Bitso, NovaDAX e outras saíram do varejo brasileiro em 2026.
- ETFs de cripto na B3 dão exposição ao preço por qualquer corretora, sem chaves.
FAQ
É legal comprar cripto no Brasil?
Sim. Comprar, manter e fazer autocustódia é legal; as prestadoras precisam de autorização do Banco Central e os ativos devem ser declarados à Receita Federal.
Pedido ao Banco Central significa que a corretora está autorizada?
Não. O protocolo no prazo permite que a plataforma existente continue operando durante a análise; a autorização é uma decisão separada que pode levar anos.
Dá para comprar bitcoin na B3?
Dá para comprar ETFs de cripto listados na B3, como fundos que acompanham o bitcoin ou um índice de cripto, por qualquer corretora; você tem cotas do fundo, não as moedas.
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