Vinho brasileiro que merece sua atenção: da Serra Gaúcha à Campanha
O segredo mais bem guardado do Brasil está na taça, e ele tem bolhas. Onde procurar, o que beber e por que os sommeliers estão de olho.
MAN TARGET Editors30 de outubro de 2026 4 min de leitura
Pouca gente pensa no Brasil quando pensa em vinho. Isso está mudando. No extremo sul, no Rio Grande do Sul, famílias descendentes de imigrantes italianos que chegaram a partir de 1875 cultivam uvas há gerações. Hoje, uma nova onda de produtores, indicações geográficas oficiais e prêmios internacionais deu ao país algo que faltava: uma identidade clara. E essa identidade, acima de tudo, tem bolhas.
Serra Gaúcha: o coração do vinho brasileiro
A montanhosa Serra Gaúcha, em torno de cidades como Bento Gonçalves, Garibaldi, Farroupilha e Pinto Bandeira, é onde se faz a maior parte do vinho fino brasileiro. O clima é úmido e chuvoso, o que torna difícil amadurecer tintos potentes, mas é ideal para o que a região faz de melhor: vinhos-base frescos e de acidez alta para espumantes. Garibaldi é amplamente conhecida como terra do espumante, a Chandon produz espumantes ali desde os anos 1970, e Farroupilha tem indicação geográfica própria dedicada aos aromáticos vinhos de Moscatel.
Os nomes no rótulo
- Vale dos Vinhedos: primeira indicação geográfica do Brasil e, em 2012, primeira denominação de origem de vinho do país. O Merlot é seu tinto emblemático, ao lado do Chardonnay e dos espumantes.
- Altos de Pinto Bandeira: reconhecida como DO em 2022, a primeira do Novo Mundo dedicada exclusivamente a espumantes. Apenas método tradicional, com Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico.
- Campanha Gaúcha: planícies onduladas na fronteira com o Uruguai, reconhecidas como indicação geográfica em 2020. Mais seca e ensolarada, cada vez mais conhecida por tintos estruturados como Tannat e Cabernet Sauvignon.
- Sudeste: em Minas Gerais e São Paulo, a técnica da dupla poda leva a colheita para o inverno seco e gera uma nova geração de tintos e brancos.
O Brasil não precisa imitar Champagne. Seus melhores espumantes têm o gosto do que são: luminosos, generosos e inconfundivelmente sulistas.
Por que o espumante se destaca
- Garrafas do método tradicional, com segunda fermentação na garrafa como em Champagne, de produtores como Cave Geisse, Casa Valduga, Miolo e Salton.
- Espumantes do método Charmat, fermentados em tanque, são mais frescos e frutados: ideais para a praia, o aperitivo e longos almoços de verão.
- O Moscatel espumante é doce, de baixo teor alcoólico e floral, perfeito com sobremesas de frutas.
- Os estilos Brut e Nature harmonizam bem com clássicos brasileiros, dos pastéis e frutos do mar ao churrasco de domingo.
Como explorar
- Comece com um Brut do método tradicional de Pinto Bandeira ou do Vale dos Vinhedos, bem gelado.
- Depois prove lado a lado um Merlot do Vale dos Vinhedos e um Tannat da Campanha.
- Visite a região na vindima, mais ou menos de janeiro a março, quando muitas vinícolas abrem as portas para degustações.
- Nas rotas do vinho, tenha sempre um motorista designado ou um passeio guiado, e beba com moderação.
Principais pontos
- O espumante é o maior cartão de visita do Brasil.
- O Vale dos Vinhedos conquistou a primeira denominação de origem de vinho do país em 2012.
- Altos de Pinto Bandeira é uma DO dedicada exclusivamente a espumantes do método tradicional.
- A Campanha Gaúcha, na fronteira com o Uruguai, é a região em ascensão para tintos.
FAQ
O vinho brasileiro é bom?
Sim, sobretudo os espumantes. As garrafas do método tradicional da Serra Gaúcha são cada vez mais elogiadas por críticos e sommeliers.
Qual foi a primeira denominação de origem de vinho do Brasil?
O Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, tornou-se a primeira denominação de origem de vinho do Brasil em 2012.
O que há de especial em Altos de Pinto Bandeira?
Reconhecida em 2022, é uma DO exclusiva para espumantes do método tradicional, feitos com Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico.
Participe de um evento de degustação Man Target dedicado aos espumantes brasileiros e aos vinhos do Sul.
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