China revela seu mapa até a Lua: dois foguetes, um encontro, pouso até 2030
Pequim mostrou, ano a ano, como pretende levar taikonautas à Lua antes de 2030. O plano e por que a NASA está de olho.
MAN TARGET Editors5 de novembro de 2026 3 min de leitura
A China publicou seu mapa mais claro até agora para chegar à Lua. Wang Xiang, projetista-chefe do programa de exploração lunar do país, apresentou o plano de pouso tripulado no 7º Simpósio de Voos Espaciais Tripulados, em Pequim, informa o SpacePolicyOnline, citando a Xinhua e a CCTV. Segundo o Universe Today, a declaração oficial veio em 3 de novembro. O simpósio também marcou os 70 anos do programa espacial chinês, lembra o The Register.
Como seria o pouso
A estratégia se chama "dois lançamentos, encontro em órbita lunar". Dois foguetes Longa Marcha 10 voariam separados: um com a Lanyue ("abraçar a Lua"), o módulo de pouso, e outro com a Mengzhou ("nave dos sonhos"), a nave tripulada. As duas se encontram em órbita da Lua. Dois dos três taikonautas passam para a Lanyue, pousam, voltam à Mengzhou e retornam à Terra. O Universe Today estima em 27 toneladas a capacidade de carga da versão lunar do Longa Marcha 10. Segundo um slide da palestra de Wang, publicado pelo CNSpaceflight e citado pelo SpacePolicyOnline, o caminho é este:
- 2027: primeiro voo de teste não tripulado da Mengzhou em órbita da Terra.
- 2028: teste de pouso lunar da Lanyue.
- 2029: ensaio geral, com dois lançamentos e um pouso.
- Antes de 2030: o pouso tripulado.
Por que a corrida ficou mais apertada
O momento pesa em Washington. Na entrevista coletiva Artemis Acceleration da NASA, em 23 de outubro, o administrador Jared Isaacman disse que a corrida espacial está "mais apertada do que precisava estar", informa o SpacePolicyOnline. Ele quer que SpaceX e Blue Origin levem americanos à Lua em 2028; a Artemis III está prevista como teste de acoplamento em órbita da Terra no ano que vem. A China também teve tropeços: em agosto cancelou a missão robótica Chang'e 7 um dia antes do lançamento por "não atender aos critérios de lançamento" e tentará de novo no ano que vem, diz o The Register.
Em 1969 a corrida era para ver quem chegava primeiro. Desta vez pode ser para ver quem consegue ficar.
Uma semana movimentada em órbita
O plano chega numa fase agitada para os foguetes chineses. Em 3 de novembro, o Lijian-2 da CAS Space decolou da zona espacial comercial de Dongfeng e colocou 18 satélites de internet Spacesail em órbita, informou a Xinhua; foi o segundo voo do foguete. A agenda do Orbital Radar lista um Longa Marcha 2C em 5 de novembro, um Ceres-2 da Galactic Energy em 6 de novembro e um Longa Marcha 12 em 8 de novembro, todos sujeitos a mudança.
Para quem sonha com viagens espaciais, a lição é de longo prazo: um pouso chinês na Lua não abriria vagas para turistas, mas pressionaria a NASA e seus parceiros comerciais a acelerar. Vamos acompanhar de perto o teste da Mengzhou em 2027.
Principais pontos
- O projetista-chefe do programa lunar chinês, Wang Xiang, apresentou o plano de "dois lançamentos e encontro em órbita lunar" em um simpósio em Pequim.
- Dois foguetes Longa Marcha 10 levariam a nave tripulada Mengzhou e o módulo de pouso Lanyue, que se encontram em órbita lunar.
- Um slide de Wang prevê o primeiro teste orbital da Mengzhou em 2027, um teste do módulo em 2028 e um ensaio completo em 2029.
- Jared Isaacman, da NASA, quer os americanos de volta à Lua primeiro, com módulos da SpaceX e da Blue Origin em 2028.
FAQ
Quando a China vai pousar astronautas na Lua?
A China diz que antes de 2030. Um slide do projetista-chefe Wang Xiang prevê testes em 2027, 2028 e 2029 antes do pouso tripulado.
O que são Mengzhou e Lanyue?
Mengzhou é a nova nave tripulada da China e Lanyue, seu módulo de pouso lunar. Cada uma sobe em um foguete Longa Marcha 10 e elas se acoplam em órbita lunar.
A China vai voltar à Lua antes dos EUA?
Ainda não dá para saber. A NASA quer que módulos da SpaceX e da Blue Origin levem americanos à Lua em 2028; a China mira um pouso antes de 2030.
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